❝Digo que inventei o teu amor para deixar os poemas mais bonitos e intensos. Logo passa.
Digo que minto.
12:00
Lembrar de você abafa o silêncio que ocupa o interior do meu carro. você se lembra da placa dele? achei que tivesse facilidade para decorar números. não é esse o seu truque para se vender atencioso? o vento da madrugada parece sólido e a cidade mais agressiva. o caminho de volta, apesar de gelado, não tem a nostalgia das minhas tardes depois das aulas do colégio. e me agrada do mesmo jeito. tudo mudou tanto. mas continuo sendo a menina sentada na cadeira dos bailinhos. daquelas que, ao ganhar a vassoura, não têm coragem de arrancar par nenhum. mesmo sonhando a semana toda com isso. mas continuo gostando daquelas tardes. frio, chocolate e um livro, deitada na cama. algo que nunca vou renunciar. soa tão egoísta. nunca. nem quando o próximo namorado tentar me arrastar para contemplá-lo no mar. deverá agradecer já que de praia só gosto nesses dias. cinzas. gelados. as ondas brigando para ver qual delas aparece mais. me deixe sozinha. não me acorde desse descanso. quero ver até onde você chega. porque o inverno está aí. é quando você decide que vai me chamar para a próxima dança. é quando o vento tenta socar a ponta do meu nariz e eu vou ter uma desculpa para usar roupas e postura discretas. é quando algum babaca vai se sentar do meu lado e achar que me leva pra casa, se prometer enternidade. se estiver sóbria, posso sorrir. mas vou continuar na minha cadeira. tomando talvez aquele tinto seco que colore os meus dentes. e que você odeia. talvez olhe para a porta. e espere a sua entrada cheia de falsa humildade. você ainda acha que convence alguém? o silêncio dentro do carro é cortado por um soluço. meu choro abortado. que nenhuma lágrima ouse me contrariar. ainda pergunto por que teve de terminar assim. a esta altura eu deveria ter vergonha. eu tenho. eu quero fazer você parar. eu não consigo. a sua ligação interrompe a tranquilidade de meu caminho de volta. esquece. dessa vez não vou me levantar. a cadeira virou escolha. ouvir a música daqui parece melhor. e ver a pista cheia já não me surpreende. ver você no meio dela escolhendo o próximo amor próprio pra destruir já faz parte das nossas madrugadas. prometo não te interromper com a minha vassoura. não vou te privar do papel de ridículo. que só agora percebo. denunciado em uma frase vazia distorcida pela sua dicção embriagada. e quando sua cena não tiver mais graça – porque seu sorriso já não encanta como antes – pago a conta e saio à francesa.
Quando amar cansa - Priscila Nicolielo
2:45
❝Ah, por favor! Não me obrigue a cantar tão alto, não me obrigue a correr tão rápido, não venha me ensinar como varrer meus cantos se mal conhece a poeira de casa. Poupa o esforço da minha garganta de dizer tantas coisas que nem sei. Pare de roubar minha sorte, não solte minha mão enquanto eu caio, me dê o primeiro pedaço de bolo. Abre mais as janelas, deixa entrar um pouco de sol, não vou mais guardar estrelas em potes de geléia. A noite está morando no meu quarto agora, dividindo a cama comigo, deixando tudo lento e preguiçoso. Ah, por favor! Chegue logo e deite do meu lado enquanto durmo. Beije a ponta do meu nariz, encaixa teu abraço no meu pescoço e me acorda logo desse sonho estranho. Me dá teu sim.
— O relógio tá girando ao contrário mas o tempo continua passando pra frente, Alice. (via lamour-et-blablabla)
7:19
❝Ah, por favor! Não me obrigue a cantar tão alto, não me obrigue a correr tão rápido, não venha me ensinar como varrer meus cantos se mal conhece a poeira de casa. Poupa o esforço da minha garganta de dizer tantas coisas que nem sei. Pare de roubar minha sorte, não solte minha mão enquanto eu caio, me dê o primeiro pedaço de bolo. Abre mais as janelas, deixa entrar um pouco de sol, não vou mais guardar estrelas em potes de geléia. A noite está morando no meu quarto agora, dividindo a cama comigo, deixando tudo lento e preguiçoso. Ah, por favor! Chegue logo e deite do meu lado enquanto durmo. Beije a ponta do meu nariz, encaixa teu abraço no meu pescoço e me acorda logo desse sonho estranho. Me dá teu sim.
— O relógio tá girando ao contrário mas o tempo continua passando pra frente, Alice. (via lamour-et-blablabla)
7:19
❝Falando sério. É bem melhor você parar com essas coisas de olhar para mim com olhos de promessas, depois sorrir como quem nada quer. Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez. E tenho medo de fazer planos, de tentar e sofrer outra vez. Falando sério. Eu não queria ter você por um programa e apenas ser mais uma em sua cama, por uma noite apenas e nada mais. Falando sério. Entre nós dois tinha que haver mais sentimento. Não quero seu amor por um momento e ter a vida inteira para me arrepender.
9:11
❝Não preciso de opiniões furadas sobre a minha vida, meu trabalho, meus amores, minha forma de conduzir as coisas. Eu tenho o meu jeito que, errado ou certo, é muito meu.
8:41